Raiva descontrolada: quando a raiva assume o volante

22 de maio de 2023
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Emoções

Explodir e depois se arrepender, de novo e de novo? A raiva não é a vilã. O problema é quando ela assume o volante.

Andreia SetiAndreia Ferreira da Silva Sousa · Psicóloga Clínica · CRP 16/6482 · 7 min de leitura

A porta bateu. O copo voou. A frase saiu antes de você pensar.

E aí vem aquele silêncio esquisito. A respiração ainda acelerada, o rosto quente e, alguns minutos depois, a culpa chegando de mansinho, puxando uma cadeira e sentando do seu lado.

“Por que eu fiz isso de novo?”

Pessoa tentando controlar um momento de raiva

Sentir raiva é normal. Perder o controle sempre, não.

Raiva é uma emoção humana, tão natural quanto alegria ou medo. Ela aparece num trânsito caótico, numa discussão no trabalho, na décima birra do dia de uma criança. E muitas vezes ela até avisa algo importante: que um limite foi ultrapassado.

O sinal de alerta acende quando a reação é muito maior que o que aconteceu. Quando a gente grita, xinga, quebra coisas, ou machuca, por algo que, olhando depois, nem era tão grave assim.

A raiva não é o problema. O problema é quando ela assume o volante.

O ciclo da explosão

Quem vive explosões frequentes costuma reconhecer este roteiro:

O gatilhoAlgo pequeno acontece: uma crítica, um atraso, um “não”.
A explosãoGrito, palavrão, objeto arremessado. Na hora, pode até vir uma sensação de alívio.
A ressacaCulpa, vergonha, remorso. Às vezes, a tentativa de jogar a culpa nos outros ou nas circunstâncias.

E o ciclo recomeça. Relacionamentos se desgastam, o trabalho sofre e a pessoa vai ficando presa nas próprias emoções.

Diz-se que Nelson Mandela, ao sair da prisão, percebeu que se não deixasse para trás a amargura e o ódio, continuaria preso. A raiva sem cuidado faz um pouco isso com a gente: vira uma cela que a gente mesmo carrega.

Vale a pena olhar com carinho se…

Se você respondeu “sim” a várias perguntas, não é motivo para se julgar. É um convite para buscar ajuda. Tem tratamento, e a melhora costuma vir antes do que se imagina.

Da reflexão à prática: 5 jeitos de lidar com a raiva sem deixar que ela te engula

Aprenda os sinais do seu corpo

Mandíbula travada, coração acelerado, calor no rosto, punho fechado. A raiva costuma avisar no corpo antes de explodir na boca.

Por que isso ajuda?

Perceber o começo da onda dá tempo de escolher o que fazer, em vez de só reagir.

Faça uma pausa estratégica

Combine consigo: “quando eu sentir que vou explodir, saio por cinco minutos”. Vale ir ao banheiro, beber água, dar uma volta no quarteirão.

Por que isso ajuda?

A intensidade da raiva diminui com o tempo. Uma pausa curta evita decisões e palavras de que você se arrependeria.

Respire mais devagar do que a raiva quer

Inspire contando até quatro, solte o ar contando até seis. Repita algumas vezes.

Por que isso ajuda?

Expirar mais devagar ajuda o corpo a sair do modo de ataque e a cabeça a voltar a pensar.

Investigue o que está por baixo

Muitas vezes a raiva é a capa de outra coisa: cansaço, medo, mágoa, sensação de injustiça. Pergunte-se: o que mais eu estou sentindo agora?

Por que isso ajuda?

Quando a gente nomeia a emoção que está escondida, fica mais fácil cuidar da causa e não só do sintoma.

Procure terapia

A Terapia Cognitivo-Comportamental tem estratégias específicas para lidar com a raiva: identificar gatilhos, rever pensamentos automáticos, treinar respostas novas e prevenir recaídas.

Por que isso ajuda?

Terapia é um espaço seguro para falar de emoções, medos e angústias, e para construir outra forma de reagir.

Uma reflexão para levar com você

Se a sua raiva pudesse falar sem gritar, o que ela diria que você está precisando?

Se a raiva tem atrapalhado suas relações, a terapia pode ajudar você a entender o que está por trás dela e a reagir de outro jeito. Atendo online, no Brasil e no exterior.

Agende sua sessão

Andreia SetiAndreia Ferreira da Silva Sousa · Psicóloga Clínica · CRP 16/6482 · @andreiaferreirapsicologa

Nota de cuidado: este artigo tem finalidade psicoeducativa e não substitui avaliação individual. Se há risco de alguém se machucar, procure ajuda imediatamente.

Em crise? Ligue 188 (CVV), gratuito e 24 horas.