Raiva descontrolada: quando a raiva assume o volante

Explodir e depois se arrepender, de novo e de novo? A raiva não é a vilã. O problema é quando ela assume o volante.
A porta bateu. O copo voou. A frase saiu antes de você pensar.
E aí vem aquele silêncio esquisito. A respiração ainda acelerada, o rosto quente e, alguns minutos depois, a culpa chegando de mansinho, puxando uma cadeira e sentando do seu lado.
“Por que eu fiz isso de novo?”

Sentir raiva é normal. Perder o controle sempre, não.
Raiva é uma emoção humana, tão natural quanto alegria ou medo. Ela aparece num trânsito caótico, numa discussão no trabalho, na décima birra do dia de uma criança. E muitas vezes ela até avisa algo importante: que um limite foi ultrapassado.
O sinal de alerta acende quando a reação é muito maior que o que aconteceu. Quando a gente grita, xinga, quebra coisas, ou machuca, por algo que, olhando depois, nem era tão grave assim.
A raiva não é o problema. O problema é quando ela assume o volante.
O ciclo da explosão
Quem vive explosões frequentes costuma reconhecer este roteiro:
E o ciclo recomeça. Relacionamentos se desgastam, o trabalho sofre e a pessoa vai ficando presa nas próprias emoções.
Diz-se que Nelson Mandela, ao sair da prisão, percebeu que se não deixasse para trás a amargura e o ódio, continuaria preso. A raiva sem cuidado faz um pouco isso com a gente: vira uma cela que a gente mesmo carrega.
Vale a pena olhar com carinho se…
Se você respondeu “sim” a várias perguntas, não é motivo para se julgar. É um convite para buscar ajuda. Tem tratamento, e a melhora costuma vir antes do que se imagina.
Da reflexão à prática: 5 jeitos de lidar com a raiva sem deixar que ela te engula
Aprenda os sinais do seu corpo
Mandíbula travada, coração acelerado, calor no rosto, punho fechado. A raiva costuma avisar no corpo antes de explodir na boca.
Perceber o começo da onda dá tempo de escolher o que fazer, em vez de só reagir.
Faça uma pausa estratégica
Combine consigo: “quando eu sentir que vou explodir, saio por cinco minutos”. Vale ir ao banheiro, beber água, dar uma volta no quarteirão.
A intensidade da raiva diminui com o tempo. Uma pausa curta evita decisões e palavras de que você se arrependeria.
Respire mais devagar do que a raiva quer
Inspire contando até quatro, solte o ar contando até seis. Repita algumas vezes.
Expirar mais devagar ajuda o corpo a sair do modo de ataque e a cabeça a voltar a pensar.
Investigue o que está por baixo
Muitas vezes a raiva é a capa de outra coisa: cansaço, medo, mágoa, sensação de injustiça. Pergunte-se: o que mais eu estou sentindo agora?
Quando a gente nomeia a emoção que está escondida, fica mais fácil cuidar da causa e não só do sintoma.
Procure terapia
A Terapia Cognitivo-Comportamental tem estratégias específicas para lidar com a raiva: identificar gatilhos, rever pensamentos automáticos, treinar respostas novas e prevenir recaídas.
Terapia é um espaço seguro para falar de emoções, medos e angústias, e para construir outra forma de reagir.
Se a sua raiva pudesse falar sem gritar, o que ela diria que você está precisando?
Se a raiva tem atrapalhado suas relações, a terapia pode ajudar você a entender o que está por trás dela e a reagir de outro jeito. Atendo online, no Brasil e no exterior.
Nota de cuidado: este artigo tem finalidade psicoeducativa e não substitui avaliação individual. Se há risco de alguém se machucar, procure ajuda imediatamente.
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