Desafios de morar fora do Brasil: a parte que ninguém posta

22 de maio de 2023
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Brasileiros no exterior

Mudar de país é realizar um sonho. E também é saudade, idioma travado, solidão e um luto que quase ninguém comenta.

Andreia SetiAndreia Ferreira da Silva Sousa · Psicóloga Clínica · CRP 16/6482 · 8 min de leitura

Os primeiros meses parecem filme.

Tudo é novo: o mercado, as ruas, o jeito das pessoas, até a embalagem do leite. Você posta foto, manda áudio animado pra família, sente que finalmente está vivendo o sonho.

Aí, um dia, a empolgação dá uma pausa. Você está no ônibus, ouve alguém falando português com sotaque de casa e o peito aperta. Bate a vontade de comer um pão de queijo de verdade. De ligar pra alguém sem pensar no fuso. De se explicar sem precisar repetir tudo.

Boas-vindas à parte que ninguém posta.

Pessoa olhando pela janela em uma cidade estrangeira

Morar fora não te livra da vida. Só muda o cenário.

Lá fora, as coisas continuam podendo dar errado: o emprego que não vem, a doença no meio do inverno, o boleto, a briga, o imprevisto. A diferença é que tudo isso acontece em outra língua, em outra cultura e, muitas vezes, sem a rede de apoio que você tinha no Brasil.

Por isso a adaptação costuma ter fases: encantamento, choque, ajuste e, com tempo e cuidado, pertencimento. Nenhuma delas é sinal de que você errou ao ir.

Os 4 desafios mais comuns (e o que eles significam)

O luto de quem foiSaudade de pessoas, lugares, comida, cheiro. Às vezes vem junto culpa por ter deixado alguém pra trás. É um luto real, mesmo que ninguém tenha morrido.
Não pertencerA sensação de não se encaixar na cidade, no trabalho ou no grupo. Você precisa reconstruir referências do zero.
O idioma e a culturaFalar outra língua o dia inteiro cansa. Piadas, regras não ditas e códigos sociais diferentes também pesam.
Emoções à flor da peleTristeza, medo e insegurança não ficam no Brasil. Eles viajam com a gente e, longe de casa, às vezes aparecem mais fortes.

Sentir saudade não significa que você escolheu errado. Significa que o que ficou importava.

Da reflexão à prática: 5 cuidados para viver bem longe de casa

Tenha expectativas realistas

Antes e depois de mudar, informe-se sobre trabalho, custo de vida, clima e burocracia. Converse com brasileiros que já moram lá, inclusive sobre o que é difícil.

Por que isso ajuda?

Expectativas muito altas aumentam a frustração. Saber o que vem pela frente ajuda a atravessar as fases ruins sem achar que tudo deu errado.

Construa uma rede de apoio nova (sem largar a antiga)

Procure grupos de interesse, cursos, voluntariado, esporte, comunidade religiosa se fizer sentido. E mantenha rituais com quem ficou: uma videochamada fixa por semana, por exemplo.

Por que isso ajuda?

Vínculos são um dos maiores protetores da saúde mental, e no exterior eles precisam ser construídos de propósito.

Invista no idioma, no seu ritmo

Não precisa ficar fluente amanhã. Mas cada conversa a mais no idioma local abre portas para amizades, trabalho e sensação de autonomia.

Por que isso ajuda?

A língua faz parte da cultura. Quanto mais você entende, menos estranho o lugar parece, e mais segurança você sente.

Leve um pedaço do Brasil com você

Cozinhe aquela receita da família, ouça as músicas de sempre, comemore as datas que importam. Pertencer a um lugar novo não exige apagar quem você é.

Por que isso ajuda?

Manter referências afetivas ajuda a atravessar a saudade sem se sentir em pedaços entre dois mundos.

Cuide da saúde mental em português

Fazer terapia na sua língua, com alguém que entende a cultura de onde você veio e os desafios de onde você está, faz muita diferença.

Por que isso ajuda?

Emoção a gente sente na língua materna. Falar sobre ela em português costuma ser mais fácil e mais profundo.

Atendo brasileiros em vários países. Veja a página do seu: terapia online para quem mora fora do Brasil.

Uma reflexão para levar com você

Se a pessoa que você era antes de se mudar pudesse te ver agora, o que ela diria sobre a sua coragem?

Morar fora pesa às vezes, e você não precisa carregar isso sem apoio. Faço terapia online em português para brasileiros no mundo todo, com horários que se ajustam ao seu fuso.

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Andreia SetiAndreia Ferreira da Silva Sousa · Psicóloga Clínica · CRP 16/6482 · @andreiaferreirapsicologa

Nota de cuidado: este artigo tem finalidade psicoeducativa e não substitui avaliação individual.

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